
Labirinto
Lutei com fantasmas
espectros, horrores
"ninguém quer
ler nossas dores"
rompi sonhos
na ventania
o espelho mostrando
a face mórbida,
um labirinto
desencontro
da lucidez
e dos amores
desprezados
meus deuses
estão todos mortos
sou a serva dos heróis
limpando masmorras,
ouvindo correntes
arrastando
a saia na lama
implorando misericórdia
aos meus senhores
sem volta no tempo
sem moeda de troca
miserere ...misericórdia!
Ana Wagner
_-_A_Young_Girl_Defending_Herself_Against_Eros_(1880).jpg)
A FORÇA DE EROS
Manto de estrelas
brancas e difusas
acariciam teu corpo
com a leveza
de um sonho ardente,
a pele responde
arrepios inesperados,
reviram entranhas
estranhos desejos
resguardados, temidos
ocultas delícias
línguas de fogo
invadem teus poros
receios superam;
a vida se impõe
sensual e voraz
vislumbras ternura
íntimas loucuras,
rubro é teu sangue
intrépido teu sexo
despindo temores
explode em prazer
com a força de Eros.
Ana Wagner
****

Saudades de que?
do amor que nos instiga
desse carinho abençoado
a carícia na noite imensa
a palavra doce e perfeita
a suave respiração em meu peito
a trangressão em tudo que faço
a ilusão de que tudo posso
o sentimento de vida nova
saudade desse teu beijo
cujo sabor desconheço
saudade que me persigas
que me queiras um dia
mais do que uma amiga
que me sufoques
em teu quente abraço
saudade que me digas...
que me digas...
Ana Wagner

INOMINADA
Quero uma gaveta cheia
de fotos amareladas,
lembranças de viagens,
antigos bilhetes de amor.
Quero esculpir novo passado,
lembrá-lo nos dias sombrios
guardar doces palavras,
lidas, rabiscadas;
aroma de início de outono,
silêncio , final de verão...
pegar tua mão e levar-te
por uma estrada florida
aquela dos nossos sonhos
igual menina e seu namorado
sem pensar, sentir somente
teu delicado beijo,
mão leve nos cabelos,
brisa da tarde,
nosso sopro de vida,
dar-te uma flor branca
muito simples
como tua alma ,
teu lavado presente.
Quero um anjo que nos guarde
de tudo o que for verdade...
Ana Wagner
* Para W

DESNEXO
Tuas mãos deslizam rios caudalosos.
Espanto de um dia comum, sublime,
Em verso inebriante te venero.
Arco-íris cavalga neblina.
Final de outono, distraída e pensativa,
Cadernos rabiscados sem poesia,
Não percebo a lua nova em entrelinhas,
Nem consigo matar o sonho nascedouro.
Ante o fascínio de tua magna presença,
Desmorono. Um gerânio ao vendaval,
Despetalei-me com tua brisa matutina:
Quis ver os montes da saudável solitude,
Rasgar ternuras, fechar os olhos-janelas...
Assaltou minh'alma súbita calma conformada.
E na estrada tardia, serei a mesma:
Incorrigível... Escancarada!
Ana Wagner
* Para W
***

ESPERANÇA
flores abertas no peito
e de novo...e de novo
esperamos não sobreviver
permanecer adormecidos
sem versos nem olhares
sem tua face intocável
esperamos que o mundo se apague
que se feche a cortina
não cantem mais os pássaros
cale-se esse relâmpago de amor...
Ana Wagner

ESFINGE
Santa
alucinação juvenil!
Amargo
quadro de beleza
no espelho
a face anulada,
vincada
um rosto copiado do terror
da humana imbecilidade
ocultando o belo
fundo raso de mim,
âmago sem aleluia
rasa solidão febril,
pequena moldura
marmórea
mulher disfarçada
em esfinge...
Ana Wagner
Ao anônimo leitor!
Gostaria de fazer
um agradecimento
aos inúmeros leitores
anônimos que me visitam
diariamente. São pessoas
de lugares distantes ou
próximos que passam
por aqui diariamente.
Obrigada anônimo leitor!