4 de jun. de 2008

NAUFRÁGIO DOS POETAS









Naufrágio dos Poetas


À noite os poetas naufragam
na essência da busca vazia
da poesia presa na garganta
que nem o pranto alivia
inventando nobres fantasias
rabiscando júbilo perene
palpitando em rimas solenes
na trilha do momento seguindo
metafórico destino parindo
com vestes e máscaras de fulgor
vão cantando seu grito de dor

Ana Wagner

2 de jun. de 2008

NOITE BRANCA











Noite Branca

Brancos lençóis
emaranhados
vívidas flores
cambraia
inútil requinte
nada ameniza
hospedeira solidão
o frio eterno
no corpo ardente
sem lágrimas
nem vaidades
abençoado sono
insuficiente
madrugada sem lua
sem amante...

Ana Wagner

27 de mai. de 2008

MAROLA












Marola


Ruge o mar
colossal
lavando almas
despejando sal,
em veias abertas.
Não fosse intenso,
abissal
seria ninho,
coberta.

Ana Wagner

***

GOTINHA










GOTINHA


Pingo
de alegria
espirrou
em minha boca
sedenta.
Doce,
sensualmente doce!
Degustei
lentamente,
com deleite.
Quando o inverno
tomou meu corpo,
a sede aumentou,
e a fonte divina
respingou
outras bocas...

Ana Wagner

NAMORADO











Namorado


Ternura
calor amado
nuvens -abraço
beijo primeiro
puro enlevo
meneios, devaneios
olhar apaixonado
visões de paraíso
meigos olhos
indevassáveis
vertigem agridoce
mel nos lábios
luxúria, ousadia
paixão que nunca sacia.

Ana Wagner

***

21 de mai. de 2008

POEMINHA










POEMINHA


quem faz
um poema
num dia
radiante
com os olhos
cheios de azul
o corpo
banhado em sol
os pés
com cheiro
de grama
irradia,
azula,
ensolara,
ama..

ANA WAGNER

***

15 de mai. de 2008

REFEITA












REFEITA

eu te fiz

flor-de-lis

raio de lis

raio de luz

raio de lua

rio de lua

rio de mim

cavalo baio

cavá-lo

com raios

com rios

com risos


raio de lua

cavalo baio..

cavalo raio

raios de ti

flor de mim

rio de risos

teus raios

raios de sol

raios de nós

arco-íris...

OSWALDO ANTÔNIO BEGIATO & ANA WAGNER

14 de mai. de 2008

AQUELE HOMEM







Aquele Homem


Chegou em silêncio
com passos gentis
tomou de surpresa
alma calejada
abriu toda a guarda
naquela carência
perdoou seus pecados
segurou sua mão
beijou-a com fome
foi febre, alimento
ternura e alento
nas pazes benditas
etérea canção.

Ana Wagner

***

Ao anônimo leitor!

Gostaria de fazer
um agradecimento
aos inúmeros leitores
anônimos que me visitam
diariamente. São pessoas
de lugares distantes ou
próximos que passam
por aqui diariamente.
Obrigada anônimo leitor!

Tempo